Una Torre, Uno Escrito

Una Hermosa Canción

De volta ao trabalho, de volta ao apartamento, de volta a imensidão das pessoas sem rumo, de volta ao nada.

2 da manhã. Meu aniversário, calor de dezembro, olho da minha janela do apartamento uma linda lua, porém um tempo fechado, apenas por alguns instantes conseguia vê-lâ, já era o bastante.
Sem sono, porque não oferecer-lhe uma canção que tinha ouvido em um dos meus filmes favoritos, Era uma Vez no México. Patricia Vonne- Traeme Paz, essa era a canção que escolheria e seria oferecida a Lua, maldita Patricia magrela, o que salva é a voz e os olhos. Cara, como é bom sentir o poder que a música traz, a sensação de nostalgia, a sensação de liberdade de poder fazer esse tipo de arte. O melhor investimento que fiz dessa acústica q fiz no meu apartamento, sem ninguém para atrapalhar nesses momentos de êxtase. Toco até não poder sentir mais meus dedos, uma improvisação flamenca, com algo triste, com algo que jamais pensei em tocar para alguém, se alguém pudesse ouvir, talvez ficaria triste, porém feliz por estar ouvindo isso….eu ficaria….

Dedilhados simples….extensas….melancólicas….como eu queria que essa noite não acabasse nunca. Vejo um nascer do sol lindo, como se fizessem anos que não visse. Num ato de loucura, pego minhas chaves do carro, meu violão, olho para meu celular…penso…penso… era o bastante, não precisaria. Desço a serra naquela segunda-feira as 6:00 da manhã…Deliciosa sensação de estrada vazia, sol aos poucos iluminando minha face, como é bom ter certas sensações, como é bom estar vivo nessas ocasiões. São Paulo á Santos. Praia vazia, alguns corredores matinais, alguns pescadores. Não é aqui o lugar, saio andando com o violão nas costas, com a calça dobrada até alto da canela, sinto a água levando as minhas impurezas, me enterrando, mas resisto e sigo em frente. Pedras amontoadas formam um círculo, será aqui! Sentado no centro delas, começo a tocar novamente, apenas improvisação, melodias harmoniosas, que perfeição, que maestria. Meus coração, minha mente pediam mais e mais, não conseguia parar de tocar. A cada nota suavemente tocada. O que acontece com esse violão que não me deixa parar. Agora sim realizado. Deito na areia, fecho os olhos, apenas ouvindo o bater das ondas, que paixão, que vida, que paz divina.

Apariencia de Mujer

Acordo assustado, que horas são? Merda! Esqueci meu relógio, meu celular…dane-se, pague as conseqüências das suas escolhas. Pelo pôr-do-sol, quase 20:00…..OITO??? Como eu pude dormir nesse calor de 30º e não estar nem queimado? Bom, vamos voltar pro meu aconchego. Bato a areia da minha roupa, do meu cabelo, da minha cara. Voltando pela margem, avisto uma jovem moça dentre seus 20 – 25 anos. Saia branca, blusinha florida de seda, sandália na mão, chapéu típicos de praia, mais parecendo um sombrero.
Olhando o pôr-do-sol da margem, queria poder tirar uma foto daquele instante. Uma leve brisa que bate um ar mais forte tirando o chapéu da linda moça e voando aos meus pés. Limpo o chapéu agora cheio de areia e caminho em direção a ela. Que sorte a minha! Espero não estar com bafo…

Roberto- Senhorita! Aqui está teu chapéu que o vento quase deixa por perdido!- Ainda meio perdido a tanta beleza, aquele cabelo longo, preto, aqueles olhos verdes claros, lábios desenhados perfeitamente. Mas não sentia prazer pela carne, sentia um certo conforto, um bem-estar perante aquela mulher.

Senhorita- Gracias Señor! Este é meu chapéu predileto, fico feliz que o tenha pegado. Obrigado novamente.

Roberto- Vejo que temos uma descendente de espanhola aqui, fico lisonjeado em tê-la encontrado, se me permite, qual teu nome?

Esmeralda- Esmeralda, e tu, como te chamas?

Roberto- Roberto. Nossa, tens o mesmo nome que minha falecida mãe, porém nunca cheguei a conhecê-la. O que fazes esta bela jovem por aqui? Logo escurece e os lobos logo saem em busca de sua presa. É muito perigoso sair por aí sozinha.

Esmeralda- Apenas na espera do amanhã. No te preocupas, em tua companhia estarei muito segura. Mas me diga, o que alguém com este forte senso da vida fazes por esta redondeza, o que procuras?

Roberto- Estou perdido na verdade, não sei qual caminho traçar nesta dura vida, que nos assombra, que nos enche de mentiras, que nos faz sentir medo…

Cara! Penso comigo…estou tão bem, mas na verdade tão triste, como se quisesse um abraço que me esquentasse naquele momento. Esmeralda olhando ao chão como se procurasse algo, vê uma concha deixada pelo mar, a pega, coloca em teus ouvidos, fecha os olhos. Ela demonstrava um semblante de total paz interior, de algo que jamais vi em alguém, era como se escutasse a mais bela música, uma expressão que alguém como eu que fui treinado a identificar, naquele momento não tinha palavras para tal.

Esmeralda- Tome Roberto, ouça, me diga o que escuta desta concha?-
Pego a concha, já quente, pois suas mãos a seguravam, coloco em meu ouvido. Tento e tento escutar algo. Não ouço nada, fico triste por não conseguir tal ato.

Roberto- Desculpe Esmeralda, não consegui escutar nada, acho que estou ficando surdo.

Esmeralda- Roberto, és surdo porque queres….Abra tu corazón, tens que aprender a escutar, saber escutar, aceitar a escutar. Todas as coisas lindas deste planeta, tens que enxergar que tudo tem vida, tem espírito!

E eu ali parado na margem, naquele lindo pôr-do-sol tomando conselhos de vida! É Roberto, tens muito que aprender ainda com as mulheres.

Momento de La Locura

Levo novamente a concha em meu ouvido, agora determinado em conseguir. Fecho meus olhos, abro meu coração, sinto uma respiração vinda da própria concha, estranho…mas continuo atentamente de olhos fechados a escutar.
Um brisa…um suspiro…uma calmaria…um chamado…
Abro meus olhos novamente….

….

….

Aonde eu estou? Cadê a praia? Cadê Esmeralda?
Estou entre campos floridos, pássaros de várias espécies, uma natureza viva, uma natureza perfeita, montanhas ao redor e até onde minha alma e minha visão conseguem enxergar. Era tudo tão divino, tão mágico, tão perfeito.

E novamente abro os olhos, estou eu de volta de frente a Esmeralda. Meu rosto deixava marca de lágrimas.

Esmeralda- Você conseguiu Roberto, está pronto. Venha, me dê sua mão!

Como um movimento automático, estendi minha mão, ela o agarrou e me puxou mar adentro. Não senti medo, não quis fazer perguntas, apenas me vinha a cabeça: Estou completo, não importa mais o que acontecerá!
Com a água já batendo no pescoço, Esmeralda vira e olho bem profundamente em meus olhos e me abraça forte…tão quente….tão seguro…tão….materno. Vejo logo a frente uma alta onda se aproximando, mas não me importava, fechei meus olhos.

Meu olhos se abrem, estou de volta aquela natureza esplêndida e perfeita, mas agora com um torre ao longe. Como se fosse uma Araucaria, porém mais robusta e ainda mais alta, com algo que mais parecia um livro feito de pedra no alto dela! Alguém precisava ver isso – pensei

Olho novamente, e a minha frente vejo um lobo branco sentado, me esperando, me analisando…Ele levanta e caminha em direção a torre, olha para traz esperando como se fosse para segui-lo. Não vou contrariar!

Era como se a torre estivesse me chamando, me aguardando.
Ao seu pé, ali estava Esmeralda, com aquele belo sorriso. Não a questionei em nada, como se não fosse preciso. Me oferece um pedaço de metal, que mais parecia um canivete. Eu sabia o que fazer, simplesmente sabia.
Olho para a torre de madeira e vejo vários nomes, como se estivessem marcados por esse canivete, traços cortados, como nas carteiras de colegial.

Deixo ali…meu nome…minha identificação…Roberto Arieta Alejandro.

Entrego o canivete a Esmeralda, ela me abraça fortemente novamente e diz:

Esmeralda- Fique em paz, estarei com você nos momentos mais difíceis, estou orgulhosa de você, cuide bem do meu colar….Meu filho!

Fiquei estático, com meus olhos lacrimejando e totalmente abertos…um tipo de estado de choque.

Esmeralda- Ah eh! Feliz Aniversário!

2 da manhã. Que calor!

Um alerta vibratório no meu celular com a mensagem:
Feliz aniversário meu filho! Sua mãe me visitou e te mandou os parabéns também!-
Delmar

E novamente durmo, tenho cliente logo cedo, preciso descansar.

Una Torre, Uno Escrito

Nova Era JazJessie