Sexto experimento

Sábado, 02 de agosto de 2008, 05h51min.

Em seu quarto, apenas a luz vinda da TV presa à parede reverbera na escuridão, com as mudanças de cenas que ocorrem na tela. Copérnico, jogado na cama, assistia ao 4º. Filme do dia.

Depois do almoço com seu amigo Alberto, não tinha mais forças nem para pensar claramente. Passou o dia e a noite deitado na cama, assistindo e comendo porcarias.

Assistiu: 2001 – Uma odisséia no espaço (1968), de Stanley Kubrick, Guerra nas estrelas (1977), de George Lucas, ET – O extraterrestre (1982), de Steven Spielberg, Laranja mecânica (1971), de Stanley Kubrick. Estava no meio deste último.

- “Você precisa arrumar uma namorada. Urgente!” – André aparece deitado ao lado de Copérnico, beliscando alguns amendoins que estavam em uma vasilha.

- “Não enche o saco André. Olha o Alex tomando uma lavagem cerebral.” – Copérnico responde apontando para a TV.

- “Sério, fica aí jogado nessa cama, parece isolado do mundo. Quando não está aqui, está enfiado naquele Laboratório. ‘Tá’ certo que você nunca foi um ‘Don Ruan’, mas isso já está ficando ridículo.” – André pega mais alguns amendoins, enquanto fala assistindo o filme.

- “Eu estou tentando prestar a atenção no filme, dá para você fechar a boca e assistir também?!” – O jovem responde em um tom exaltado, tentando calar as perguntas de André.

- “Até o Alberto tem a Vitória. E você sabe como ela era controladora. E ele continua vendo ela. Eu tinha meus rolos, assim como você, mas pelo menos eu conseguia os manter mais do que duas semanas.” – André levanta-se e começa a mexer na bancada onde fica o computador, com um sorriso sarcástico no rosto.

- “Isso para mim é pura perda de Tempo. Você sabe disso. Eu não procuro por ninguém, pois sei que, todas as vezes que tinha alguém, acabava deixando de lado por conta das minhas coisas. Não vale a pena ficar ouvindo um monte se não era o que eu realmente queria… Nossa, olha essas coisas no olho dele!” – Copérnico responde enquanto tenta manter a atenção no Laranja Mecânica.

- “E aquela Patrícia hein?! Bonitinha ela. Acho que você poderia dar uns ‘amassos’ nela. Acho que ela ia gostar também. Com toda a atenção que ela lhe dá, e você também, hein… hein…” – André vira-se para Copérnico, que pausa imediatamente o filme.

- “Você enlouqueceu de vez né André?! A Patrícia é minha M-E-N-T-O-R-A.” – O jovem diz, sentando na cama e olhando para André com um olhar de indignação e parafraseando sua fala.

- “Tá’ vendo como você fica alterado?” – André para no batente da porta do banheiro.

- “Claro, ela para mim é como uma irmã mais velha. Eu me espelho em sua visão do mundo. Eu também acho que podemos como Despertos fazermos algo para mudar esse mundo decaído.” – Copérnico agora se levanta e vai até o banheiro e começa a urinar, com a porta aberta, esperando a resposta do amigo.

- “Mas mesmo assim. Acho que você não pode excluir todas as possibilidades…” – Após dar passagem para o amigo, continua parado e tenta argumentar, sendo cortado.

- “Que possibilidades André?” – Urinando enquanto pergunta.

- “Existem outras por aí, oras.” – ele saí dali e senta-se na cama. Um barulho de válvula é escutado, e a torneira abrindo e fechando, como numa sequência perfeita.

- “Sim, despertas e adormecidas, claro! Seria bem legal namorar uma desperta. Acordar todo dia com uma magia ativa ao meu lado, um PARADOXO no cangote, isso sem contar se ela for da Escadaria, aí ferrou de vez.” – Copérnico dirige-se até o quarto, e senta em seu lugar novamente, pegando o controle em sua mão.

- “E adormecida então. Qualquer coisa perigosa, tentaria ajudar com magia. Isso se não soltasse sem querer ou não visse que ela estava presente. Fudeu mais ainda. O Voyle e o Moroes iam me chamar de cinco em cinco minutos por ferir aquela tal de ‘Lex Magica’. – O jovem mago ri mais alto do que pretendia, sendo acompanhado pelo amigo crepuscular, que não se agüenta e ri alto também.

- “Deixa quieto vai. Não adianta conversar com você desse jeito. Volta a ver o seu filme aí…” – André levanta-se e vai até o banheiro. A porta fecha-se.

-“Play”

Sábado, 02 de agosto de 2008, 16h11min.

Sexto experimento

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