Maestro e Lobo

Após Maestro ter conseguido se recuperar de seu acidente, agora andando com muito mais naturalidade, Herr Docter o levou até o Teatro que um dia fora do avô de Boris, aquele que chamavam de Maestro antes dele.

Herr Docter não teve muita dificuldade para conseguir comprar o Teatro, estranhamente as atenções das pessoas, e dos próprios magos, havia sido desviado desse Teatro, e nada de interessante aconteceu no 12 anos em que ficou nas mãos de um comprador qualquer, que não conseguia dar muita vida ao lugar.

Herr Docter havia conhecido o antigo Maestro, avô de Boris, mas nunca tiveram afinidades, e se impressionou com a coincidência de que ele haveria de ser o Mentor de Boris, se é que isso era uma coincidência. Docter via que as linhas do tempo, tanto do seu tempo quanto de Boris, foram cruzadas, mas não conseguiu entender a lógica desse cruzamento, ia além de seus poderes.

Após ter o Teatro de volta, Boris passou a dedicar-se a restaurar toda a glória do lugar, e já preparar plano para reabertura do Teatro. No dia 10 de março de 2005, Boris e Herr Docter estavam no Teatro, finalizando alguns reparos ao mesmo tempo em que Docter ensinava Boris a manipular melhor as magias de Matéria, quando Herr Docter recebeu uma convocação telepática do Professor Solomon, uma reunião urgente do Mysterium.

Herr Docter: Tenho que ir Boris, haverá uma reunião do Mysterium agora, infelizmente você ainda não está preparado, quem… – Docter é interrompido por um homem que entrava no Teatro sem ser anunciado.

Professor Solomon: Herr Docter! Não há necessidade de se deslocar, afinal, não queremos que seu Kübelwagen fique andando por ai à toa.

Herr Docter: Professor Solomon, que reunião urgente é essa?

Professor Solomon: Ah, não se preocupe, não é uma reunião para todos os Membros, somos apenas eu e você, esqueci de mencionar isso na convocação.

Professor Solomon: Senhores, perdoem minha deselegância, esqueci de apresentar meu aprendiz – Professor estava acompanhado de um homem de aproximadamente 1,80m, cabelos longos e avermelhados, uma barba ruiva bem aparada e um chapéu marrom.

Professor Solomon: Este é lobo Vermelho, meu mais novo aprendiz, ele ainda não foi apresentado ao Consilium, talvez façamos isso nos próximos meses, quem sabe até não apresentemos Lobo e o Maestro no mesmo dia.

Maestro e Docter trocaram cumprimentos rapidamente com Lobo e antes que pudessem falar alguma coisa Professor os interrompeu.

Professor Solomon: Quero conversar com você a sós Herr Docter, vamos dar uma volta pelo Teatro. Lobo, fique aqui com Maestro alguns instantes enquanto eu falo com Herr Docter.

Professor e Herr Docter se dirigiram ao estacionamento do Teatro, já que não precisavam ir muito longe, pois ali ninguém iria ouvi-los, enquanto Lobo e Maestro ficaram no Hall de entrada do Teatro.

Maestro: Venha Lobo, vamos andar um pouco pelo Teatro, preciso ver algumas coisas antes de reabrir o Teatro, não posso ficar muito tempo esperando, a inauguração será feita dentro de alguns dias.

Lobo Vermelho: Está certo.

Os momentos seguintes foram seguidos de muitos cômodos fechados e empoeirados, salas completamente vazias ou então totalmente cheias de entulhos e papeis.

Lobo Vermelho: Não vejo nada de interessante nesse lugar, nem ao menos um local para se respirar um pouco de ar puro, se é existe ar puro em São Paulo.

Maestro: Não exagere meu caro, pelo jeito você está acostumado com o Jardim Botânico, é obvio que aqui não seria igual. Mas me parece que há uma laje aqui, o telhado não é fechado, vamos lá atrás do seu ar puro. – Termina Maestro enquanto se dirigia para as portas que levam ao teto do Teatro.

Maestro: Viu só o que falei. – Maestro fala quando ele e Lobo saem em uma grande laje, do mesmo tamanho de todo o Teatro.

Lobo Vermelho: Já é um começo, mas não muda muito a situação. Não me parece muito que você goste de plantas Maestro, mas aqui em cima daria um belo Jardim elevado, quem sabe uma grande estufa, com certeza isso iria melhorar os ares desse prédio e atrair bons espíritos.

Maestro: Não é má idéia, mas por enquanto plantas e espíritos não são as maiores de minhas preocupações, quem sabe daqui algum tempo.

Ambos ficam algum tempo andando pela laje do Teatro até que chegaram na beirada e, quando olharam para baixo viram Professor e Herr Docter no estacionamento, discutindo acaloradamente algum assunto que desagradava os dois, mas pararam de conversar assim que notaram que os aprendizes estava olhando.

Professor faz um breve aceno com a mão dizendo para Lobo descer, e sai a passos largos em direção a Avenida, enquanto Docter fica parado olhando ele se distanciar, de longe os aprendizes apenas escutam: “Pense nisso Docter, mas pense rápido.”

Lobo e Maestro se entreolham não entendendo o que estava acontecendo, e na verdade nenhum deles estava se importando muito naquele momento.

Lobo Vermelho: Está na minha hora Maestro, foi um prazer lhe conhecer, mas preciso ir cuidar de alguns assuntos. Até um dia. Lembre-se dos espíritos.

Maestro: Claro, espíritos.

Maestro faz um breve acesso com a cabeça enquanto ambos riam da “provocação” de Lobo, já que Maestro é um Moroi,e dificilmente entenderia tanto quanto lobo, um Thyrsi, de espíritos.

Segundos depois Docter aparece pela porta da laje e vem em direção a beirada em que Maestro estava parado olhando a paisagem da Avenida Brigadeiro Luis Antonio.

Herr Docter: Maestro, terei que ir embora, amanhã continuaremos nossos treinos. Tenho que resolver alguns assuntos urgentes.

Maestro: Não se preocupe Docter.

Depois que Herr Docter saiu do Teatro Maestro ainda ficou algumas horas andando pela laje e analisando a idéia que lobo lhe dera, um Jardim elevado, quem sabe algum dia.

Maestro e Lobo

Nova Era Jones