Decifrando as Matrizes

Decifrando as matrizes: Histórico de adormecido e o Despertar da realidade

Cadu, como é conhecido entre os campos da faculdade, sempre foi um menino inteligente e esperto. Frequentou desde cedo as melhores escolas da capital, já que seu pai fazia questão de fornecer ao seu filho uma boa educação. Deu muito valor a isso, tanto que aos 18 anos conseguiu entrar na primeira tentativa do vestibular para a faculdade de Física da universidade de São Paulo. Após terminar, fez ainda um ano e meio de pós-graduação, e deu entrada em seu mestrado de dois anos. Todos muito bem feitos, sempre com elogios dos professores e notas acima do ideal. Isso foi concretizado graças a sua capacidade de concentração e sua falta de capacidade social que o acompanhou desde o inicio de sua vida.

Sua vida nesse tempo passou tranquila, com os pais mais preocupados com a imagem da nata da sociedade paulistana do que com o próprio filho. Teve algumas poucas namoradas, mas nunca deu muito certo, pois sua cabeça estava diretamente ligada a seus estudos e suas viagens no mundo da física.

Apenas uma coisa lhe afetou, deixando-o mais distante ainda do meio social. Cadu tinha dois amigos, André e Alberto. Eles cresceram juntos no bairro do Jardins, e fizeram inclusive a mesma faculdade. Sempre muito unidos, iam juntos a bares e aos grupos de estudos. As pessoas brincavam dizendo que eram os trigêmeos siameses mais inteligentes de São Paulo. Andavam para cima e para baixo do campus, discutindo leis e conversando sobre os mais variados assuntos.

Quando completaram a faculdade, aos 23 anos, resolveram fazer uma viagem para o interior. Carregaram o carro com as coisas mais importantes e foram na viagem que eles mesmos disseram ser a primeira depois da revelação do mundo físico. Mas na estrada, enquanto Cadu dirigia o carro, algo que nem mesmo ele soube explicar, o carro desgovernou-se e literalmente voou em uma curva. Alberto teve apenas ferimentos leves, já Cadu ficou um mês internado. André não sobreviveu. Cadu acordou e não se lembrava do acidente, mas sabia que algo ruim havia acontecido. Cadu lembra somente de uma torre, criada por Nikolai Tesla na época da segunda guerra, surgindo no meio da rodovia, e uma voz que dizia para ele traçar o caminho até ela. Mais nada. Um grande vazio preenche sua mente.

Depois disso, fugiu para os livros e suas pesquisas. Quando estava fazendo seu mestrado, acabou conhecendo uma enfermeira, que estava de “passagem” pelo campus naquele dia. Ela revelou-se a pessoa que fez com que Cadu retorna-se para a vida, ainda no hospital. Ele interessou-se muito por ela, mas algo estranho o deteve. Marcaram de se encontrar na frente do hospital à noite. Quando chegou até o local, no lugar do hospital, aquela torre da noite do acidente aparecera de novo.

Desta vez, ele manteve-se consciente, e traçou o caminho como a voz havia lhe pedido. Começou a caminhar e viu coisas absurdas acontecendo. Coisas fora da realidade. Pessoas flutuando, energias surgindo do nada e animais feitos de alguma substância estranha. Tudo parecia ter fogo, eletricidade, gravidade, som, tudo junto e ao mesmo tempo separado.
Adentrou aquela estrutura estranha e chegando ao final, encostou sua mão numa parede de vidro, que havia vários nomes. Seu nome apareceu no local, e ele subitamente acordou em frente à lanchonete do hospital, tendo a visão da enfermeira sentada, e ela, apenas ela, olhando para seu rosto, enquanto uma luz descia do nada até sua cadeira.

Foram meses até descobrir o que exatamente lhe ocorreu, já que não conversa com ninguém, a não ser a misteriosa enfermeira que encontrava com Cadu a cada dois dias, no mesmo local de seu despertar. Seu apartamento virou literalmente um laboratório de física, coisas que Cadu se entrete e pesquisa enquanto não está tentando ajudar alguém junto com a enfermeira.
Sua mente parece ter se ajustado a sua nova realidade, mas ainda tem medo do que possa ocorrer caso perca o controle das coisas que parecem agora reagir a sua vontade. E André ainda aparece de vez em quando, dando-lhe conselhos e conversando, fazendo-o lembrar do dia em que se recusou e depois traçou o caminho ao reino superno.

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